terça-feira, janeiro 09, 2007

Há dias ...

'Não tenho paciência para ouvir os outros, não tenho paciência para viver, não tenho paciência para morrer, estou aqui, parada, num desequilíbrio interminável, nunca mais acabo de cair, irrito-me se me falam, sofro se não me dizem nada, odeio o gesto caridoso: a mão de alguém nos meus cabelos, o que eu quero é uma voz que me queira, um momento de descanso nessa voz.'
Grito . Rui Nunes


Há dias em que só o teu calor chega. Como se a tua infinita paciência me resguardasse de cada átomo que vai estourando aos meus ouvidos. Nem eu sei porquê. Mas às vezes é de tal forma estridente que chego quase a perder os sentidos.
Tenho sede. Fome. Azia. Indigestão. Tenho o paladar à deriva dos teus sabores e ainda não consegui perceber muito bem se isso é bom, ou simplesmente não.
Tenho o mundo à minha volta à espera e ao mais simples passo em falso, ele cai. Como se em menos de dois segundos os dedos explodissem cada página de um destino.
Os pianos têm rodinhas. Mas o meu deixou-se acomodar entre as fraquezas da minha coluna. E quanto mais desço, mais se acomoda.
Não me falta o que fazer. Mas passivamente prefiro ficar aqui. Gastando inesgotáveis tolices de quem não quer o que lhe espera.

Se ao menos tu me esperasses ...









Já nem escrever eu sei. Já nem isso.

(e o limite só não chega porque continuo a ter-te por cá. ainda que querendo mais, e sempre mais. desculpa.)

6 comentários:

facilmente disse...

Fazem falat palavras assim para nos fazer pensar mais vezes no que se resume a vida e o amor.
Continua por aqui eu faço-te companhia.

Anónimo disse...

Que palavras mais cheias de sentimento Clarinha!
E acho que não corres o risco de não saber escrever...
Bjinho grande***
(ah e continuação de bom estudo)

soul_traces disse...

Por mais voltas que o teu mundo dê, por mais passos em falso que possam ocorrer, haverá sempre uns quantos que existem para inverter o sentido das rodas do teu mundo e para colocar chão firme por baixo dos pés que falseiam...
E sim, sabes escrever hoje tão bem ou melhor que ontem:)
Beijinhux***

Anónimo disse...

Senti a tua falta.
Como se sente apenas das coisas belas.

A tua presença subentendida, docemente vertida num punhado de palavras coloridas rasgando a minha tela. É sorrir assim, a cada palavra tua. Ter-te por perto.

As travessuras dos computadores também me têm mantido longe daqui, mas sempre que volto, volto com desejo de te ler. Ler e saborear cada tecla da tua melodia, tocar a textura dos teus sentidos, fechar os olhos e pensar que bom é o mundo quando há pessoas capazes de escrever assim, de sentir assim.

Fazes-me falta. Como só as pessoas importantes fazem =)

Anónimo disse...

Se já não sabes escrever, então eu nunca soube... ensina-me a não escrever como tu...
Se sentes e escreves tão bem o que sentes, ensina-me a não sentir como tu...

Português Suave disse...

Há dias em que só o sabê-lo chega, há dias em que tê-lo parece pouco...
Escrever deixa de se saber, quando vive como o vejo viver em ti. Não tentes aprender-te, limita-te a ensinar-nos com as tuas letras e melodias.
E as rodas do piano...essas estarão, certamente, envoltas de cotão, naquela sala que necessita de ser limpa e da qual alguém esconde a chave.
Um beijo, melodia*