sábado, fevereiro 03, 2007

Tear drops


Ainda me consigo entristecer quando desligo o telefone e vejo a menina que sou.
Apago a luz. Deixo o CD tocar. E estendo-me na cama desmaiando nessa mesma imaturidade (ou o que lhe quiseres chamar).
Ainda não consigo conter. As alegrias que me berram aos ouvidos e que grito do mais fundo do ser. E a dor que deixa os olhos lacrimejarem, prometendo ser sempre a última vez. Mas as vezes multiplicam-se e o mundo vai e vem em menos de dois segundos deixando-me sempre na corda bamba da ansiedade.
Depois, encho os pulmões de coragem e levanto-me. Automaticamente dirijo-me às teclas que me olham vazias e de lado, pressentindo já o pior de mim que teima sempre em chegar.
E acho que me sei. Que me conheço as manhãs de sempre e a chuva de quando sou fraca. Tambem o sou e irrita-me sabê-lo melhor que ninguem.
Ponho a música mais triste e deixo entoá-la, funebremente penalizando-me de todas as guerras que não soube segurar. De todas as lágrimas que não soube guardar e até das gargalhadas que, em dias, deveria contê-las.
E posso estar logo a gritar aos quatro cantos do mundo a felicidade que me preenche o puzzle, que até lá guardo-me em caixas separadas, desorganizadamente desconexas.
Tapo-te os ouvidos e grito-te como caio, mesmo sabendo que só eu oiço, grito cada vez mais alto até cair de vez.
Dizes-me que sou forte e eu vejo-me a cair, e deixo. Dizes-me que sou criança e eu berro-te a mulher que sou, mas que nem o espelho consegue ver.
E enquanto te culpo entre os lençois e os olhos que acabam mesmo por lacrimejar, aguardo-te cá dentro, como todos os dias que me abraças o peito e me escutas a alma. Não te sei negar o amor. Até podia. Mas não quero.

(Lá no fundo, sei que não quero, como tu.)

4 comentários:

soul_traces disse...

É mais um daqueles teus textos que nos deixam sem palavras. Fantástico. Mesmo. É incrivel a tua capacidade de fazer com que as tuas palavras toquem bem cá dentro ao ponto de ocultar as próprias. Gostei imenso:)
Beijinhux***

sandrine disse...

ng escreve melhor k tu=)

Té § [Pi]menta =) disse...

q texto cheio de sentimento!!!
adorei! :) bjinho minha lindaa **
(sem mta inspiração hj, e sem palavras,tb,confesso, para comentar um texto destes! :))

Sandro disse...

Lá no fundo não queres negar-lhe o amor... ainda bem! O amor conquista tudo, mesmo imagens reflectidas num espelho, que apenas retratam um espectro de nós mesmos.
Somos aquilo que queremos ser, não o que os outros nos dizem, e não o que um simples espelho reflecte!

Beijo grande