segunda-feira, dezembro 08, 2008

Man, I feel like a Woman!

Passamos grande parte do tempo a imaginar como gostaríamos que fosse.
Berramos para que nos abracem, discutimos para que os dêem segurança, dizemos que partimos para que nos façam ficar, gritamos "não" para que nos devolvam o "sim"..
E, pelo menos uma vez na vida, todas as moléculas se desalinharam e até nós conspiramos contra o destino.
No fundo, batemos com a porta, mas deixamos sempre a janela aberta.
A linha é sempre tão ténue entre o sim e o não, o fica e o vai, o não quero e o quero demais.
Abençoamos os nossos dias com as mais peculiares características e mesmo quando chega o fim nunca nos acreditamos que é de vez.
Somos feitas de esperança, persistência e alguma complicação. Contruímos os nossos castelos com areia para que seja mais fácil reconstruí-los quando nos deixam de prenda um grande tombo.
Temos a delicadeza de uma bailarina e a força de quem nos completa. Choramos, esperneamos, viramos o mundo do avesso, partímos, batemos, insultamos quando o coração dói, e nem sempre o fazemos da forma mais correcta, mas é o maior elogio que podemos dar para mostrar que não há outro sítio para ficar a não ser ao nosso lado.
Trapaceamos qualquer Lei da Física e até o sentido dos ponteiros do relógio sabemos inverter. No fim, não passa de uma doce ironia de quem às vezes embrulha mágoas nas palavras mas guarda sempre um lugar gigantesco no coração.
Um lugar, onde há sempre espaço para mais alguem.


"Eu digo que não te quero e de noite, de noite sonho contigo"

6 comentários:

Pedro Meneses disse...

Dizer o queremos nem sempre é a escolha que tomamos como certa...nem sempre dizemos o que nos vai na alma...falta coragem, mas não a vontade....falta tudo menos a vontade...

Muitas vez queremos dizer tudo, mas acabamos por não dizer nada...muitas vezes nem o sorriso ou as palavras casuais...muitas vzes ate a coragem para um olá é pouca....

gostei muito daquilo que escreveste...

Qel disse...

«Passamos grande parte do tempo a imaginar como gostaríamos que fosse.
(...) dizemos que partimos para que nos façam ficar, gritamos "não" para que nos devolvam o "sim"..
(...)
No fundo, batemos com a porta, mas deixamos sempre a janela aberta.
A linha é sempre tão ténue entre (...) o não quero e o quero demais.
(...) mesmo quando chega o fim nunca nos acreditamos que é de vez.
Somos feitas de esperança, persistência e alguma complicação».

Acho q descreveste bem de mais a mente feminina na generalidade. Somos subjectivas e um tanto quanto indirectas. Não é q gostemos ou não mas deixamos as acções na corda-bamba e passamos sempre a batata-quente para mãos alheias. Gostamos de testar os limites deles e ver até onde a sua perspicácia os leva. Deixamos tudo 'dito por não dito' na esperança de que nos percebam sem esforços e na expectativa de q nos saibam/aprendam a ler nas entrelinhas. Por vezes corre bem, por outras nem por isso... Mas nós somos assim, construímos castelos de cartas em dias de ventania e eles são assim, incorrigíveis, não se dando, muitas vezes, ao trabalho de os reconstruir.

Adorei, adorei, adorei! :)

Vertigo disse...

De como basta um segundo para deitar por terra qualquer castelo de areia.E,as dúvidas e a as certezas limitam-se a subir ao poder alternadamente.Somos assim,somos.E apesar de achar que assim sempre seremos,também acho que,com o tempo,com a própria vida,vamos limando algumas arestas..

Um beijo


Kiss

Um beijo

Davi(d) disse...

Gostei imenso deste texto. A mente feminina (que na minha opinião é um tanto complicada) está bem representada nestas linhas.

Adorei! :)

CuiShLe disse...

Esta qualquer coisa de espectacuar!!!
Tão verdadeiro!!!
Beijiho *

Anónimo disse...

Viver sem ti é possível, sem maior dificuldade
Vivo porque acordo, como, saio e durmo, porque jogo ao dominó
Vivo porque é mais fácil inspirar o ar e devolver as sobras
Porque diz o meu médico depois de ver o meu pulso que os meus sinais vitais, anunciam que estou vivo
Vivo porque ainda respiro y porque saio para caminhar
Vivo porque assim é a vida, mas é preciso mencionar
Que viver não é estar vivo, viver p’ra mim és tu

Viver sem ti é possível, sem maior dificuldade
Vivo porque tenho um nome, um número de conta e o recenseamento eleitoral
Vivo porque é assim chamado esse combustível parvo de mexer-se por aí
Vivo por inércia absurda
Vivo porque alguns acham que é abrir os olhos
Vivo mas morro diariamente, porque tu não estás
E viver não é estar vivo,
Viver p’ra mim és tu...