sexta-feira, junho 25, 2010

The sign

Tenho ficado quieta como se essa fosse a melhor maneira de agir. À espera de fazer do meu coração o meu escudo e do amor a minha arma. À espera do momento em que a vontade me fará virar o mundo do avesso só para te encontrar.
Tenho ficado quieta, evitando todos os momentos em que a vida me leva para perto da perfeição, como se morrer no dia a seguir não me fosse importar.
Tenho ficado quieta e por isso não perdoo as santíssimas divindades por me interceptarem, de olhos aos gritos, no meio da multidão, com um inesperado tête à tête.
Chegou meio segundo para o universo deixar de existir, para suster tudo o que reconstruí, e eu, que tenho ficado quieta, à espera da vontade que me fizesse dar cabo do mundo para que aparecesses, nem precisei de andar.
Se o céu fala quando fica escuro e ameaça chover, se o mar através das ondas desvenda ventos e correntes, se a natureza conspira com os planetas para eles se alinharem; da próxima o destino podia me mandar uma carta e treinar o coração a lançar-me sem arco e sem flecha antes de mudar as vinte e quatro horas do meu dia, trocar as placas da minha direcção, pôr-me correr para chegar atrasada, mudar a minha rua de sítio e fazer-me subir as escadas, mesmo quando estou cansada.
Mas o coração não se treina e as coincidências acontecem, metaforicamente cúmplices, declarando guerra contra o cérebro numa aliança com a rotina, como se em ti tivesse encontrado o meu talismã e não apenas um amuleto da sorte que a santíssima trindade me pôs no caminho.

Às vezes ainda é como nos filmes!

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