segunda-feira, maio 25, 2009

Trinta minutos

Estou há trinta minutos impávida, não tanto serena, a olhar para o monitor. Confesso que o olhar é pouco concentrado. Bastante disperso, vazio, diria! Passam-me pela cabeça contornos grandiosos e nomes estranhos. Oscilo entre a mais deliciosa das recordações e o mais pérfido dos sentimentos.

Preciso de estar perto de ti. Estranhamente passa-me isto pela cabeça.

Já dei duas voltas à casa, abri todos os armários, explorei todas as gavetas, abri e revi cartas, fotografias, corações partidos, sorrisos rasgados, olhares gulosos, suspiros antigos, lágrimas perdidas. Pedaços de corações espalhados por aí.
E pensei.
Cartas de amor... Mais que bonitas, mais que lê-las e relê-las, o tempo passa, as nossas vidas não se cruzam além das suas periferias mas o aperto, o mesmo aperto da primeira vez, quando, entre soluços e bafejos senti o peito acelerar e a pulsação desenfreada ao sabor das linhas já amareladas e as folhas salpicadas por lágrimas d'outrora, mantém-se!

Páro de novo. Mais trinta minutos em frente ao monitor. Já revi amigos de longa data, familiares que estão para lá do Atlântico, caras com cheiro a trinta nacionalidades e, estranhamente, volto a pensar em ti.. Sim, garanto-te que é estranha a forma de pensar em ti!!

Guardo todas as cartas.
De sorrisos de palhaços a apertos inevitáveis, nada do que é verdadeiro devia ter um segundo sentido.

Resigno-me às cartas - Penso - E espero que o sono venha rápido, não quero ficar mais trinta minutos estática como se as respostas estivesses para lá do monitor. Como se encontrasse qualquer forma de alento enquanto escrevo, enquanto leio, enquanto páro e os meus olhos, esses perdidos no vazio que buscam mais e mais felicidade, descobrem que afinal o mundo pode desabar em menos de oitos segundos, a saudade apertar em menos de dois e o cérebro, antes cristalizado na força de mil braços, pode desvendar tudo o que nunca quis saber.

Já diziam as avozinhas muito sabiamente que "quem tudo quer tudo perde", suponho que o paralelismo possa ser válido para o seguinte facto: a ignorância e a ingenuidade são a força dos mais felizes. Quanto menos impressões tens mais vale a primeira, quanto menos sabes menos pensas, quanto menos tentas saber menos especulas, quanto menos especulas mais cartas relês.. E o aperto, aquele doce e tentador aperto pende sobre o teu corpo como se fosse um prémio por tudo o que foi verdadeiro e sem segundas inteções.

Também eu gostava de saber como assinalar a minha passagem na tua vida.

4 comentários:

CuiShLe disse...

Não tenho palavras apenas!!! Tu escreveste-as todas =')

ineiiizi disse...

já por várias vezes dei por mim a perguntar à minha inocência porque é que ela fugiu....
já por várias vezes abafei pensamentos porque como dizia o poeta 'pensar incomoda como andar à chuva'... nao que andar à chuva me incomode sempre, porque até sabe bem às vezes, mas há uma forte possibilidade de nos constiparmos
já por várias vezes sufoquei numa luta desenfreada entre a parte de mim que quer ouvir o coração e a que ouve a cabeça, por saber que não faz bem pensar naquele alguém ou naqueles momentos, que nos deixam com um sorriso imenso e ao mesmo tempo curto, que dá lugar àquele aperto no peito que faz arder os olhos.... seguido de dias e dias de ressaca emocional. Em que mergulhamos nesse mar de conflitos entre o que sabemos, o que pensamos, o que especulamos.... em que pomos tudo em causa e nos acabamos por perder, porque simplesmente deixamos de saber que lugar ocupamos verdadeiramente....

desculpa, este comentario que mais parece um post :x mas as tuas palavras inspiram-me, e pareceu-me bem que este 'desabafo' fosse no teu canto, para ti.. visto que foi graças ao teu, que consegui transformar em letras, uma parte da minha miscelânea de conflitos

:) beijo*

ana disse...

fantástico*

Peregrina disse...

Que bonito, que sentido! :)