sexta-feira, maio 29, 2009

Faz de conta que eu acredito em ti

Eu, faço de conta que não sei. Tu, fazes de conta que não sabes que sei. E assim fazemos de conta que vivemos.
De favores e vontades construímos as nossas vidas, moldamos os nossos caminhos até ao ponto em que eles se cruzam e quando paramos mais de dois segundos caiem-nos as máscaras, a doçura que deitamos ao nosso lado, a magia que semeamos nas nossas peles, a cumplicidade que prolongamos em palavras sem fim, abraços de reconciliação, olhares de ternura... Revivemos vezes sem conta a efemeridade do nosso carinho, até cruzarmos de novo, pararmos mais de dois segundos e as máscaras caírem outra vez - Recomecemos - Aprendemos a respirar como se fosse a primeira vez, damos as mãos e desfazemos os nós, colamos os corpos e separamos a alma, lambemos as feridas e abrimos uma vez mais e nunca, nunca nos lembramos que as cicatrizes estão lá, espalhadas em cada membro já rompido pelo vício de nos querermos.
Deve ser isto querer alguém, lançar os dados quando já não há mais crédito para gastar, escalar montanhas quando já nem o braço conseguimos erguer, procurar em cada gesto o que as palavras já não sabem dizer quando não temos mais onde procurar, e, quando chegamos ao fim, recuamos aos primórdios, revelamos os factos pela ordem que se sucederam: o saldo está negativo, os braços irreversivelmente estáticos e os gestos perdidos nas nossas cabeças que vêm alem do coração. E assim caímos de um valente terceiro andar! Deve ser isto querer alguém..
Mas não é amor!

2 comentários:

CuiShLe disse...

As tuas palavras que dizem sempre tanto!!!! Nunca percas esse dom! Quando escreves um livro??? =D

Rui disse...

Isto é muito bom.
Quanto à tua vinda secreta a Coimbra... ai ai, eu a contar com os nossos finos e nada. E eu que tinha tantos para oferecer, no cortejo :D